Infarto está crescendo entre jovens no Brasil e o colesterol é o principal vilão silencioso — veja como baixar antes que seja tarde

Durante décadas, o infarto foi associado a homens idosos. Essa imagem está mudando — e rápido.

Dados recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que os casos de infarto entre pessoas de 18 a 39 anos cresceram cerca de 10% na última década no Brasil. E o principal fator por trás dessa mudança tem um nome que a maioria das pessoas acredita controlar: o colesterol.

O problema é que controlar o colesterol é mais complicado do que parece. A maioria das pessoas que descobre o LDL alto começa a cortar gordura da dieta — e não vê resultado nenhum. O motivo é simples: estão combatendo o problema errado.

Por que cortar gordura não resolve (sozinho)

Aqui está o que poucos médicos explicam claramente: cerca de 70% do colesterol que circula no seu sangue não vem da comida. É produzido pelo próprio fígado.

E o que mais estimula essa produção não são as gorduras — são os carboidratos refinados. Pão branco, arroz branco, biscoito, farinha, açúcar. Quando o organismo recebe mais carboidrato do que precisa, o fígado converte o excesso em gordura, eleva os triglicerídeos e reduz o HDL — o colesterol protetor.

Resultado: a pessoa que corta manteiga e continua comendo pão todo dia no café da manhã provavelmente não vai ver melhora no exame.

O que o exame de colesterol realmente mede

Quando o médico pede um perfil lipídico, ele está avaliando quatro números diferentes:

LDL (“colesterol ruim”): se acumula nas paredes das artérias e forma placas. Com o tempo, essas placas estreitam os vasos e podem causar infarto ou AVC. Quanto menor, melhor.

HDL (“colesterol bom”): remove o excesso de LDL das artérias e leva ao fígado para eliminação. Abaixo de 40 mg/dL é fator de risco independente para infarto — mesmo que o LDL esteja normal.

Triglicerídeos: gordura diretamente ligada ao consumo de açúcar, álcool e carboidratos. Acima de 150 mg/dL já é alerta.

Colesterol total: a soma de tudo. Útil, mas menos importante do que os valores individuais.

A nova Diretriz Brasileira de Dislipidemias, publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2025, endureceu as metas. Para pessoas de baixo risco, o LDL deve ficar abaixo de 115 mg/dL — valor mais restritivo do que as diretrizes anteriores.

Por que os jovens estão infartando mais

Três fatores explicam o crescimento dos casos entre jovens, segundo cardiologistas:

Vape e cigarro eletrônico: estudos publicados no Journal of the American College of Cardiology confirmam que as substâncias dos vapes causam rigidez arterial imediata e inflamação dos vasos — mesmo em jovens sem histórico de colesterol alto.

Anabolizantes: o uso crescente em academias é um fator silencioso. Os esteroides reduzem drasticamente o HDL e elevam o LDL. Há relatos de infarto em homens com menos de 40 anos sem nenhum histórico familiar, mas com uso frequente dessas substâncias.

Ultraprocessados: a dieta brasileira mudou. O consumo de alimentos industrializados ricos em gordura trans, sódio e açúcar disparou — especialmente entre jovens adultos.

O que realmente funciona para baixar o colesterol

Trocar carboidratos refinados por integrais

A fibra solúvel — presente na aveia, no feijão, na lentilha e nas frutas com casca — se liga ao colesterol no intestino e impede sua absorção. É uma das intervenções com melhor evidência científica. O farelo de aveia, especificamente, tem efeito tão documentado que a FDA americana permite que fabricantes declarem no rótulo que o produto contribui para reduzir o LDL.

Aumentar o consumo de peixes gordurosos

Sardinha, salmão, atum e cavalinha são ricos em ômega-3, que reduz triglicerídeos de forma significativa. Duas porções por semana já fazem diferença mensurável nos exames.

Trocar óleos vegetais por azeite extravirgem

As gorduras monoinsaturadas do azeite aumentam o HDL sem elevar o LDL. Um grande estudo espanhol com mais de 7.000 participantes mostrou redução expressiva no risco cardiovascular com consumo regular de azeite.

Exercício aeróbico regular

É a única intervenção comprovada para elevar o HDL de forma consistente. Não precisa ser intenso — 150 minutos de caminhada rápida por semana já produz melhora mensurável. O sedentarismo, por outro lado, reduz o HDL independentemente da dieta.

Perder gordura abdominal

A gordura visceral — ao redor dos órgãos — estimula diretamente a produção de LDL pelo fígado. Perder mesmo 5% do peso já melhora o perfil lipídico.

Parar de fumar (incluindo vape)

O tabagismo reduz o HDL e danifica as artérias. Em um ano sem fumar, o HDL já mostra melhora mensurável.

O que você não precisa cortar (ao contrário do que pensava)

Ovo: foi demonizado por décadas. As evidências atuais mostram que, para a maioria das pessoas saudáveis, o colesterol alimentar do ovo tem impacto mínimo no LDL. As diretrizes atuais da SBC não limitam o consumo de ovos para indivíduos sem histórico cardiovascular.

Café filtrado: estudos recentes associam o consumo moderado de café filtrado a perfil lipídico mais favorável. O café coado retém as substâncias que elevam o colesterol — presentes principalmente no café não filtrado, como o expresso e o coado em coador de metal.

Quando o médico pode indicar medicação

As mudanças de estilo de vida são sempre a primeira etapa — e têm prazo. Após 3 a 6 meses sem resultado satisfatório, especialmente em pessoas com histórico familiar de doenças cardiovasculares ou que já tiveram infarto, o cardiologista pode indicar estatinas.

As estatinas são os medicamentos mais estudados da história da medicina, com décadas de evidências de redução de infartos e mortes. Tomá-las não significa fracasso — significa que o risco individual exige mais do que mudanças de comportamento podem oferecer.

Conclusão

O infarto não avisa antes. O colesterol alto não dói, não aparece no espelho e não causa sintoma algum — até que cause. Por isso o exame preventivo é tão importante.

Se você tem mais de 35 anos, histórico familiar de doenças cardíacas ou algum dos fatores de risco mencionados aqui, peça ao seu médico um perfil lipídico completo na próxima consulta. Quanto antes você souber, mais fácil é reverter.

Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia — Diretriz Brasileira de Dislipidemias 2025, Journal of the American College of Cardiology, Agência Brasil, Ministério da Saúde. Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica.

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